Problemas associados à perda de peso rápida por lutadores

Problemas associados à perda de peso rápida por lutadores

Em meio a diversos acontecimentos envolvendo o corte de peso de lutadores e problemas relacionados à saúde, chega o momento de questionar até que ponto as organizações de eventos devem limitar essa perda de peso.

Embora a pesagem tenha tornado um evento que atrai assinantes e expectadores, o lado fisiológico deve falar mais alto e retomar a questão se é a hora de banir essa perda de peso rápida e generalizada.

Atletas chegam a perder 10% do peso corporal

Para competir em categorias de peso mais baixas que o habitual, os atletas perdem cerca de 2 a 10% de peso corporal e muitas vezes esse processo é feito na reta final do treinamento, próximo à competição, para que essa perda de peso não seja prejudicial para o ciclo de treinamento. É comum esses atletas utilizarem de algumas práticas para realizar essa perda de peso rápida, dentre as estratégias mais adotadas pelos lutadores, podemos citar a desidratação, longos períodos de jejum, exercícios físicos com roupas específicas para promover o suor, como por exemplo, roupa de borracha e períodos em saunas, sendo essa última combinada com as outras estratégias citadas.

Efeitos da perda de peso rápida

Todos esses processos de perda de peso rápido promovem efeitos agudos e crônicos na saúde e redução no rendimento esportivo. Dentre os efeitos agudos podemos incluir a desidratação que irá promover uma redução do volume sanguíneo impactando na eficiência cardíaca. Outro problema associado à desidratação é a relação com a temperatura corporal que é comprometida e muitas vezes associada à estratégia de perda de peso na sauna, podendo gerar uma hipertermia corporal. Entrando na parte endócrina e imunológica, o processo de perda de peso rápida, pode gerar tanto de forma aguda quanto crônica um desbalanço hormonal, comprometendo as funções ósseas, imunossupressão, deixando o atleta mais suscetível a infecções.

No rendimento esportivo o cenário de prejuízos não se difere dos efeitos na saúde. Alguns estudos mostram que essa implicação no desempenho é dependente de fatores como quantidade de perda de peso e período de recuperação entre a perda de peso e a competição. Os principais prejuízos evidenciados por alguns estudos é a perda de força e velocidade do treinamento quando se inicia esse processo de redução de peso, além disso, o rendimento aeróbio e anaeróbio é comprometido nesse processo. Vale salientar que a Agencia Internacional de Controle Antidoping (WADA) controla uma lista de estratégias que é considerada proibida para o processo de perda de peso devido aos elevados riscos a saúde.

Tendo isso em vista, será que vale a pena lutar em categoria cada vez mais baixa e realizar essa perda de peso brusca cerca de quatro vezes ao ano? Talvez seja o momento de repensar sobre esse processo e acrescentar outros métodos proibidos na lista da WADA. Com certeza, o que vale a pena é realizar esse processo com o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar para a avaliação de risco de todos os sistemas do organismo.

Por: Pedro Perim

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