Suplementação de creatina e diabetes: existe alguma relação?

Suplementação de creatina e diabetes: existe alguma relação?

A creatina é um suplemento amplamente utilizado e comercializado com a finalidade de efeitos ergogênicos no exercício físico. Isso é explicado pelo fato de diversas evidências científicas mostrarem resultados positivos sobre esse suplemento. Atualmente sendo considerado nível A de evidências pelas principais instituições da área do esporte no mundo, sendo elas, o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM) e o Instituto Australiano de Esportes (AIS).

A creatina foi descoberta em 1992, pelo professor Roger Harris, onde ele viu que a suplementação exógena de creatina monohidratada aumentava o conteúdo de creatina e fosfocreatina dentro do músculo esquelético. Após essa descoberta, uma gama de estudos foi voltada para analisar o efeito da suplementação no exercício, porém, hoje em dia, uma das linhas de pesquisa mais evidentes é em relação ao efeito terapêutico da suplementação de creatina. Dentre os efeitos estudados a relação com a diabetes é uma das que mais chamam atenção.

A diabetes tipo 2 vem sendo uma preocupação global atualmente. Dados epidemiológicos mostram que o número de pessoas com diabetes no mundo vem crescendo cada vez mais, e estima-se que até 2035 o número de indivíduos diabéticos cresça em mais 205 milhões. Dentre as características da diabetes, a resistência à insulina é mais predominante, a alteração mecanismo da cascata de ativação, impossibilita a translocação do GLUT4 para a membrana da célula e assim evitando a captação de glicose da corrente sanguínea para o músculo.

O estudo pioneiro que desencadeou toda a posterior linha de pesquisa envolvendo a creatina e o diabetes foi realizado no final do século passado, onde os autores observaram que a suplementação aumentava o conteúdo de GLUT4 em indivíduos que estavam com membros imobilizados e começaram a realizar sessões de reabilitação no grupo suplementado com creatina em comparação ao grupo placebo.

Esse estudo foi o grande incentivo para pesquisadores brasileiros investigarem o efeito da creatina, porém, dessa vez em sujeitos diabéticos. Então, participaram do estudo 25 homens e mulheres diabéticas, sedentárias e que não realizavam a suplementação de creatina anteriormente. Foram divididos em dois grupos, sendo o primeiro suplementado com 5g de creatina por dia e o outro suplementado com placebo, durante 12 semanas. Após o período de suplementação, os autores mostraram que o grupo que administrou creatina teve uma redução significante nos níveis de hemoglobina glicada e uma melhor resposta aos testes de tolerância a glicose.

Portanto, conclui-se que a suplementação de creatina monohidratada principalmente em conjunto ao exercício físico pode atuar como uma função terapêutica em portadores de diabetes, reduzindo os níveis de glicemia e hemoglobina glicada.

Porém, a suplementação deve vir em conjunto a um plano dietético adequado e individual. Procure sempre um nutricionista para a orientação correta sobre alimentação.

Para uma leitura mais aprofundada do assunto, segue a referência: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20881878

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