Suplementação de beta alanina para idosos

Suplementação de beta alanina para idosos

A suplementação de beta alanina vem sendo uma estratégia nutricional amplamente utilizada/prescrita por atletas e profissionais da área da saúde com o objetivo de melhorar o rendimento esportivo.

Isso é explicado pelo fato da suplementação de beta alanina ser o fator limitante para a síntese de carnosina muscular. A carnosina é um dipeptídeo formado pela própria beta alanina em conjunto com a L-histidina através do mecanismo realizado pela enzima carnosina sintetase presente na membrana do músculo esquelético. Estudos pioneiros mostraram que a concentração de beta alanina na corrente sanguínea e a afinidade com a enzima responsável pela síntese de carnosina é menor em comparação a L-histidina, logo, sendo necessária a administração exógena de beta alanina para que aumente em grandes proporções o conteúdo de carnosina muscular.

O processo de envelhecimento é caracterizado pela perda de massa muscular, força e capacidade endurance, o que está associado à fragilidade dos idosos, doenças crônicas não transmissíveis, aumento do risco de quedas e até mesmo aumento da taxa de mortalidade. Uma gama de estudos mostra que as principais estratégias eficientes para o contorno dessa perda de massa muscular são a nutrição adequada e a prática de exercícios físicos.

A relação entre a suplementação de beta alanina em indivíduos idosos vem mostrando resultados curiosos. Apenas dois estudos tinham sido realizados com o objetivo de analisar a resposta muscular dos idosos a suplementação de beta alanina e ambos os resultados mostram efeitos positivos em termos de ganho de força muscular, utilizando protocolos criados para simular atividades do cotidiano dos idosos, como por exemplo, subir escadas, levantar e sentar de cadeiras, carregar bolsas de supermercados, entre outras.

Porém, recentemente, pesquisadores dos Estados Unidos encontraram um resultado diferente aos estudos previamente citados. Analisando 27 idosos com idade entre 60 e 82 anos, sendo suplementados com 3,2g/dia de beta alanina ou placebo durante 12 semanas em conjunto ao treinamento resistido previamente protocolado, os autores não encontraram diferença em ganho de força entre o grupo suplementado e o grupo controle.

Uma possível explicação para esse resultado é pelo fato do protocolo de exercício utilizado (musculação) não ter a capacidade de provocar a acidose muscular necessária para a ação da beta alanina. Tendo em vista que a principal via energética utilizada nesse protocolo é o ATP-CP, pode ser que a suplementação de creatina monohidratada exerça efeitos superiores em comparação à administração de beta alanina.

Para uma prescrição de suplementos em conjunto a um plano alimentar adequado e individualizado procure sempre um nutricionista. E para uma prescrição de exercícios também de maneira individualizada procure sempre um profissional de Educação Física.

Para uma leitura mais aprofundada do artigo, segue a referência: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29336621

 

Por: Pedro Perim

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